13/01/12

INDEFENSÁVEL: FÉRIAS DE 2 MESES PARA JUÍZES

Tem certas coisas que a gente lê no jornal e não acredita que possa ser verdade. Podemos até pensar certas bobagens, jamais dizê-las em público, ainda mais quando ocupamos um cargo público. É o caso das declarações de duas altas autoridades de São Paulo publicadas neste primeiro dia útil de 2012, o ano que começa exatamente como o outro terminou, com excelências achando que todo mundo é bobo e aceita qualquer coisa. Até parece que virou deboche, como já escrevi em 2011.

Nesta linha, o novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Ricardo Garisio Sartori, deu uma inacreditável entrevista ao repórter Fausto Macedo, publicada pelo "Estadão", em que defende os dois meses de férias dos meritíssimos magistrados como um direito para "preservar a saúde mental do juiz". E deu seus argumentos:

"Não considero privilégio porque acho que isso foi visto pelo legislador, o legislador tem sempre uma razão, a lei tem sempre uma razão de ser. Considero um direito que a lei previu, que vem em benefício do cidadão e, possivelmente, a razão, a ratio legis, é a sanidade mental do juiz".

Ratio legis? Como assim? Vem em benefício de que cidadão esta lei que privilegia uma classe num país em que a presidente da República está tirando só 10 dias de férias e, o comum dos mortais, tem direito a, no máximo, 30 dias?

De mais a mais, se o legislador tivesse sempre razão e a lei fosse imutável, ainda viveríamos no tempo da escravidão e as mulheres não teriam direito a voto. E que história é essa de precisar de 60 dias de férias para garantir a saúde mental? Por acaso a presidente Dilma trabalha menos do que um juíz e nós todos corremos o risco de enlouquecer?

Sartori defende a tese, bastante em voga no Judiciário nacional, de que todos os cidadãos são iguais perante a lei, claro, mas alguns cidadãos, como ele, são mais iguais do que os outros. Os pasteleiros que se cuidem.

"Temos inúmeros problemas psicossociais de juízes. Transformaram a função jurisdicional numa função como outra qualquer, não é assim, soltar processo como se solta pastel em pastelaria".

Por acaso o nobre Tribunal de Justiça de São Paulo já procurou saber quantos motoristas de ônibus, lixeiros, médicos, jornalistas, garimpeiros, professores, operários, garçons, policiais, pilotos e pasteleiros -- quer dizer, todos aqueles que, com seus impostos, pagam os salários dos magistrados -- sofrem de problemas psicossociais em função do seu trabalho?

Assim dá para entender melhor porque o Tribunal de Justiça de São Paulo é o que mais resiste às investigações da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e não pode nem ouvir falar na ministra Eliana Calmon, autora da célebre frase:

"Sabe que dia eu vou inspecionar o Tribunal de Justiça de São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro".

Sai 2011, entra 2012, mas o desembargador Sartori "direito adquirido" não nos deixa sonhar com dias melhores.

A VERGONHOSA CAIXA-PRETA DA JUSTIÇA BRASILEIRA

A melhor notícia de 2012 até agora é a mesma de 2011: apareceu alguém com coragem para abrir a caixa-preta da Justiça brasileira e acabar com a impunidade dos meritíssimos que se julgam acima da lei.

Colocada na parede pelo corporativismo das associações de magistrados e por alguns membros do Supremo Tribunal Federal, no final do ano passado, a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, não esperou muito tempo para voltar à luta e dar a sua resposta.

Antes da segunda semana do ano chegar ao final, ela encaminhou relatório ao Supremo Tribunal Federal, em resposta às informações solicitadas em dezembro pelo ministro Ricardo Lewandowski ao suspender as investigações da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça.

Calmon anexou ao relatório os resultados do rastreamento feito pelo Coaf, orgão de inteligência do Ministério da Fazenda, que descobriu R$ 856 milhões em "operações financeiras atípicas" (R$ 274 milhões em dinheiro vivo) feitas por 3.426 juízes e servidores no período entre 2000 e 2010.

Está explicado o motivo da revolta de alguns setores do Judiciário, especialmente em São Paulo, por onde começou a fiscalização, contra a corregedora Eliana Calmon, que no ano passado denunciou a existência de "bandidos de toga" e foi acusada por uma quebra generalizada de sigilos fiscal e bancário, o que ela nega veementemente em seu relatório de 46 páginas e nove anexos.

Só nesta quinta-feira, no mesmo dia em que a Corregedoria Nacional de Justiça divulgou que 45% dos magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo não entregaram suas declarações de renda e de bens de 2009 e 2010, o novo presidente do TJ-SP, Ivan Sartori, deu um prazo de 30 dias para que todos cumpram a lei.

O levantamento do Coaf começou a ser feito em 2010, quando a baiana Eliana Calmon Alves, 67 anos, assumiu a corregedoria nacional do CNJ (seu mandato vai até setembro deste ano). Foram pesquisados os nomes de 216 mil servidores.

No relatorio entregue ao STF, a corregedora deixa claro que "atipicidade" não significa crime ou irregularidade, mas a necessidade de dar sequência às investigações sobre as movimentações financeiras destes magistrados.

"Não há nada de incomum ou extravagante na fiscalização (...) Alguns tribunais, em especial os estaduais, não observavam o cumprimento de preceitos fundamentais, diversamente dos demais tribunais (federais e trabalhistas)", justificou a ministra.

Agora, quando os onze membros do STF voltarem das férias, em fevereiro, e forem julgar a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, após a última sessão da Corte em 2011, praticamente suspendendo as atividades da corregedoria, eles terão novas informações para o julgamento definitivo sobre as atribuições do Conselho Nacional de Justiça.

A depender desta decisão, a absoluta maioria dos magistrados brasileiros certamente agradecerá à competente e destemida ministra Eliana Calmon, símbolo da brava gente brasileira, pelo resgate da imagem do Judiciário, abalada ultimamente pela denúncia de malfeitos diversos, defesa de privilégios e irregularidades na concessão de benefícios.

Salve Eliana Calmon, a Justiça brasileira agradece a sua coragem.


21/12/11

O NATAL PECULIAR DE CALVIN



Vídeo de animação, elaborado por Jim Frommeyer, em homenagem às tiras de "Calvin & Haroldo", um clássico de Bill Watterson. Trata-se de uma recriação dos cenários de uma tira que ficou conhecida como "tormento dos bonecos de neve".

19/12/11

ESCÂNDALO DA CENSURA BRANCA DA GRANDE IMPRENSA

"Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu".
(Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).
***
Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.

Foi o ano em que um livro desmascarou o que ainda restava de importância e influência da chamada grande imprensa na formação da opinião pública brasileira.

O suicídio coletivo foi provocado pelo lançamento de um livro polêmico, A Privataria Tucana, do premiado repórter Amaury Ribeiro Júnior, com denúncias sobre o destino dado a bilhões de reais na época do processo de privatização promovido nos anos FHC.

Como envolve personagens do alto tucanato em nebulosas viagens de dinheiro pelo mundo, o livro foi primeiro ignorado pelos principais veículos do país, com exceção da revista "Carta Capital" e dos telejornais da Rede Record; nos dias seguintes, os poucos que se atreveram a tocar no assunto se limitaram a detonar o livro e o seu autor.

Sem entrar no mérito da obra, o fato é que, em poucos dias, A Privataria Tucana alcançou o topo dos livros mais vendidos do país e invadiu as redes sociais, tornando-se tema dominante nas rodas de conversa do Brasil que tem acesso à internet.

No final de semana, o fenômeno editorial apareceu nas listas de jornais e revistas, mas não mereceu qualquer resenha ou reportagem sobre o seu conteúdo.

Em 47 anos de trabalho nas principais redações da imprensa brasileira, com exceção da revista "Veja", nunca tinha visto nada igual, nem mesmo na época da ditadura militar, quando a gente não era proibido de escrever _ apenas, os censores não deixavam publicar.

Foi como se todos houvessem combinado que o livro simplesmente não existiria. Esqueceram-se que há alguns anos o mundo foi revolucionado por um negócio chamado internet, em que todos nos tornamos emissores e receptores de informações, tornando-se impossível esconder qualquer notícia.

O que mais me espantou foi o silêncio dos principais colunistas e blogueiros do país _ falo dos profissionais considerados sérios _, muitos deles meus amigos e mestres no ofício, que sempre preservaram sua independência, mesmo quando discordavam da posição editorial da empresa onde estão trabalhando.

Nenhum deles ousou escrever, nem bem nem mal, sobre A Privataria Tucana, com a honrosa exceção de José Simão, o mais sério de todos eles.

Alguns ainda tentaram dar alguma desculpa esfarrapada, como falta de tempo para ler e investigar os documentos publicados no livro, mas a grande maioria simplesmente saiu por aí assobiando e mudando de assunto.

O que aconteceu? Faz algum tempo, as entidades representativas da velha mídia criaram o Instituto Millenium, uma instituição voltada à defesa dos seus interesses e negócios, o que é muito justo.

Sob a bandeira da "defesa da liberdade de expressão", segundo eles sempre ameaçada por malfeitores do PT e de setores do governo federal, os barões da mídia promoveram vários saraus para denunciar os perigos que enfrentavam. O principal deles, claro, era "a volta da censura".

Pois a censura voltou a imperar escandalosamente na semana passada. Só que, desta vez, não promovida por orgãos do Estado, mas pelas próprias empresas jornalísticas abrigadas no Instituto Millenium. Os antigos donos do poder midiático decidiram apagar do mapa, não uma reportagem ou uma foto, mas um livro.

O episódio certamente será um divisor de águas no relacionamento entre a grande imprensa e seus clientes. Por mais que cada vez menos gente acreditasse nessa conversa, seus porta-vozes sempre insistiam em nos garantir que a mídia grande era independente, apartidária, isenta, preocupada apenas em contar o que está acontecendo e denunciar os malfeitos do governo, em defesa do interesse nacional e da felicidade de todos.

Agora, caiu definitivamente a máscara. Neste final de semana, ouvi de várias pessoas, em diferentes ambientes, que vão cancelar assinaturas de publicações em que não confiam mais.

Como jornalista ainda apaixonado pela profissão, fico triste com tudo isso, mas não posso brigar com os fatos. Foi vergonhoso ver o que aconteceu e não deu para esconder. Graças à internet, todo mundo ficou sabendo.

E agora? O que vão dizer aos seus ouvintes, leitores e telespectadores? Que tudo não passou de um engano, uma ilusão de ótica? Vão publicar um "erramos" coletivo ou vai ficar tudo por isso mesmo?

23/11/11

PONTO FRIO : CONSUMIDOR NUMA FRIA

Pois bem… Aqui, mais uma vez, indignada, pra varia. Desta vez, e pela primeira vez encontrei uma loja na net que não respeita o cliente.

Estou falando de lojas grandes e conhecidas, claro.

Já comprei no Submarino, Extra, Americanas, Shoptime e outras tantas de “nome” e nunca deu nada errado.

Desta vez, ao procurar uma TV, no site buscapé.com, encontrei a que eu queria e por um preço bom, mas o que chamou mais a minha atenção, foi o prazo para entrega.
Caí direitinho!

Comprei e na data estipulada, fiquei em casa, pois precisa alguém de plantão o dia todo, das 8h00 às 20h00 e…….. NADA!

Dois dias perdidos.

Claro, fiz o que deveria ter feito “ANTES” da compra, pesquisar por reclamações da loja. Eis que, fiquei pasma, quando vi que muuuuuuuuuuuita gente reclamava da mesma coisa, do prazo para entrega e do descaso da loja.

A loja em questão, é a loja virtual “PONTO FRIO”.
Eu acreditei que os prazos de entrega deveriam ser rigorosamente respeitados, afinal, não é à toa que existe um prazo, ou é?

Aí o que todo mundo diz… “Entra com uma ação!”, “Vai pra cima deles!”.

Tá, farei isso, mas o que me deixa furiosa é a necessidade de chegar a tal ponto. Se não tem condições de entregar o produto, que tal dar um prazo maior? Se é pra acontecer isso, se ao que parece, o consumidor é visto e tratado pelo PONTO FRIO como um otário, o que leva a sair impune e tudo continuar como dantes no quartel de abrantes?!

O pior de tudo, é que no site da loja está em destaque o fato de entrega rápida e foi exatamente isso que me levou a arriscar com esta loja que se diz séria.

Lá diz que: “Natal é tempo de entrega e no PONTOFRIO.COM, toda entrega merece um final feliz”.
Estava acostumada a rezar pra chover quando era época de plantar, pra parar de chover na época da colheita, pois minha família sempre lidou com a terra, mas ter de rezar pra receber um produto que comprei…

Valha-me Deus!!!
Vamos esperar…

E esperar…

Afinal, um dia terei uma solução e, como promete a loja, “TEREI UM FINAL FELIZ”.
Mas deixo aqui registrado que “NUNCA MAIS COMPRO NADA NO PONTO FRIO.COM”.

A partir do Blog Angelssol. Leia no original


*   *   *
NOTA: A quem possa interessar, meu problema com a loja PONTOFRIO.COM foi resolvido. Quero deixar claro aqui o que fiz pra um final feliz. Botei a boca no mundo. No facebook, no twitter, no meu blog, além de mandar e-mail pra todas as lojas do grupo Abílo Diniz, inclusive e-mail pra o próprio. Quem resolveu?! Não sei, mas resolveram isso em menos de 24 horas.

Recorrendo aos canais alternativos site do Grupo Pão de Açúcar e de Abílio Diniz , bem como a redes sociais (Twitter e Facebook), o problema acabou sendo resolvido pela empresa. Deixo registrado que o retorno foi feito pela página de SAC do Ponto Frio no Twitter (@PontofrioSAC) e pela Ouvidoria da empresa, através do telefone (11) 2595-4000.

04/11/11

O NATAL DE CHARLIE BROWN (Trecho)

O Natal tinha chegado – a época em que a neve vai caindo devagar e o som das canções natalinas ecoa pelo ar. Era uma época de felicidade. E, para as crianças de todas as partes do mundo, a melhor época do ano.



Porém, havia um garotinho que não estava muito empolgado com a chegada do Natal.

– Eu simplesmente não entendo o Natal – disse Charlie Brown, quando a neve branquinha começou a cair. – Posso até ganhar presentes, mandar cartões de Natal e decorar árvores, mas não fico feliz. No fim acabo sempre deprimido.

– Você é a única pessoa que eu conheço que consegue transformar uma época maravilhosa como o Natal em um problema – respondeu Linus. – A Lucy tem razão. Entre tantos Charlie Browns que existem no mundo, você é o mais Charlie Brown de todos.

No laguinho congelado, a criançada se reuniu para brincar de siga o mestre. Snoopy mordeu o cobertor de Linus para arrastá-lo sobre o gelo – mas acabaram esbarrando em Charlie Brown, que levou um tombo e foi parar em um monte de neve!

Para Charlie Brown, não foi surpresa nenhuma. Esse tipo de coisa sempre acontecia com ele. E, na época do Natal, quando ele nunca recebia um cartão e era ignorado até pelo cachorro, tudo ficava ainda mais evidente. Ele precisava conversar com alguém.

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